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Sustentabilidade do Douro 04/10/2009

Posted by sergioreis86 in Uncategorized.
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     Recentemente assisti a um interessante seminário no Museu do Douro, situado na cidade do Peso da Régua, promovido pela Universidade Aberta, que teve como tema principal o “Desenvolvimento Local e Sustentabilidade”.

*Cais do Peso da Régua

*Cais do Peso da Régua

     Foi durante o debate que me apercebi infelizmente que na realidade a nossa sociedade continua a caminhar com base naquele provérbio português “o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre”.

      Muitos temas foram abordados e debatidos ao longo do seminário, desde as grandes empresas como a SOGRAPE até ao tão referido turismo de luxo. E ao longo das explanações e dos debates fui enriquecendo a minha opinião sobre o pertinente tema da sustentabilidade do Douro.

     Muito há a referir sobre este assunto mas existem alguns aspectos deveras importantes que não posso deixar de mencionar e opinar. Será que o turismo de luxo é sustentável? Será que devemos dar prioridade às 5 estrelas e “esquecer” todas as outras pessoas que também deveriam ter acesso a esta maravilha que é o Douro – Património Mundial? Será que o pobre agricultor e os vitivinicultores irão beneficiar com o turismo de luxo? Será que a população em geral irá beneficiar com este mercado? Muitas pessoas defendem que sim, mas na realidade eu encontro-me em total desacordo.

     Na minha opinião, a região demarcada do Douro é das mais lindas de todo o país e uma das mais belas de todo o mundo. Uma paisagem única e maravilhosa que infelizmente “poucas” pessoas puderam até hoje admirar. Como tal, penso que seria benéfico para todos adoptar uma estratégia de mercado que englobasse todos os níveis da sociedade e não apenas pessoas com elevado poder económico. Além de não ser um mercado abundante (ainda para mais em tempo de recessão económica), caso a preferência recaísse no turismo de luxo, as pessoas com menos poder de compra não teriam nunca acesso a esta região maravilhosa. Facto que me entristece, uma vez que acredito que esta região será tanto mais importante quanto mais divulgada for, não só pelo mundo, mas essencialmente por todo o nosso país (infelizmente a grande maioria da população portuguesa desconhece a beleza desta região).

     É verdade que a região, tal como dizem os peritos, é um alvo por excelência para o investimento. Mas lembro também que a beleza natural (e com isto, refiro-me às vinhas e não às edificações existentes) não deverá ser alterada nem degradada. Com todo o movimento que algumas pessoas pretendem para a cidade, existirão também consequências inerentes. A população do Peso da Régua já constatou que por exemplo o rio Douro se encontra cada vez mais poluído. É um facto inegável! Com o aumento de navegação e utilização do rio, está inerente a consequente poluição. Ora, será que é vantajoso, tal como várias pessoas afirmam, aumentar o fluxo de embarcações do rio? Até que ponto as pessoas estarão dispostas a degradar o meio ambiente para ter um negócio um pouco mais rentável? Pois, talvez para as pessoas que não nasceram e cresceram nesta região seja fácil e vantajoso degradar esta paisagem natural, uma vez que quando não existir aqui lucro, procurarão outras regiões para explorar. Mas para as pessoas que aqui nasceram, ajudaram e ajudam com o seu “sangue, suor e lágrimas” a construir esta maravilha que hoje podemos ver, será o destruir daquilo que, desde há séculos, várias gerações de famílias lutaram por construir.

     Por fim, torna-se indispensável debruçar-me sobre outra questão. Será que os pequenos agricultores do Douro vão ganhar algo com o referido turismo de luxo? Será que os presidentes dos países e empresas vão comprar batatas, azeitonas e uvas a esses pequenos agricultores? Será que os hotéis vão adquirir esses produtos ou optar pelas habituais grandes superfícies comerciais? Na minha opinião, é obvio que no mínimo o pobre continuará a ser pobre e não beneficiará em nada com este tipo de turismo. Além disso, existe um nível grande de pobreza, uma vez que muitas pessoas ainda nem sequer têm acesso ao saneamento básico. Talvez seja bonito para o turista ver que as pessoas ainda moram como antigamente, mas para essas pessoas que habitam nestas condições desumanas, acredito que não seja minimamente agradável. Portanto, torna-se necessário apoiar os habitantes da cidade e investir também em outro tipo de turismo para que o pequeno comércio possa também sobreviver.

     Mais uma vez irei reforçar que as opiniões e acções devem ser bem ponderadas porque não podemos “olhar só para o nosso umbigo”. Não se pode pensar em grande quando ainda existem muitas pequenas e básicas coisas a fazer! Na minha opinião a sustentabilidade passa por primeiramente resolver então esses pequenos défices em algumas áreas, para depois a região poder pensar mais alto. Isso sim, parece-me “sustentável”!

     Apelo aos responsáveis por esta região, pela qual sinto um encanto especial, que não permitam que o Douro seja degradado por pessoas oportunistas e que pretendem enriquecer sem olhar a meios nem aos demais.

     Por fim, deixo uma palavra de carinho e admiração por todas as pessoas que tornaram possível a formação desta paisagem maravilhosa, que nos enche de orgulho por ser única no mundo.

 

* Fonte: http://files.nireblog.com/blogs1/nortedeportugal/files/peso-da-regua-rio-jpg

Poderão ler o artigo de opinião também em:

 http://www.diariodetrasosmontes.com/cronicas/cronicas.php3?id=1061&linkCro=1

 

Comentários»

1. Paulo Costa - 04/10/2009

Caro Sérgio estou totalmente de acordo. O Douro vive um momento próspero de oportunidades, sendo certo que a definição de um rumo pragmático torna-se uma prioridade máxima no momento.
Definir que produtos turísticos possui a região que possam fornecer sustentabilidade às populações residentes e que possam atingir nichos de mercado interessantes, deverá ser a prioridade imediata.
Ideias há muitas, e valiosas!, diga-se! No entanto não são em definidas dentro de um plano estratégico de crescimento sustentado.
Senão vejamos:
– Que segmentos de mercado mundial pretendemos atingir?
– Quanto gasto o turista em média numa visita à Região? E quanto gasta o turista médio em regiões similares à nossa em França, Espanha, Suiça ou Bélgica?
– Que segmentos etários nos interessam de acordo com os produtos turísticos que possuímos?
– Que plataformas de comunicação são as ideais para promoção do Douro?
– Que formação urge indicar aos jovens da Região para a tal sustentabilidade a curto/médio prazo?
– Quais as políticas comuns municipais integradas numa estratégia comum?
– Onde começa o turismo e acaba a agricultura e vice-versa? Serão eles convergentes? Serão estas áreas obrigatoriamente alvo de uma estratégia comum?
– Que futuro para as aldeias desertificadas do Douro com patrimónios valiosos?
– O Rio tem mais potencialidades para além do turismo fluvial?
– As universidades e escolas superiores estarão sensibilizadas para o fenómeno do turismo no Douro? Geologia, História, Geografia, Enologia, Educação Física e Desporto, Biologia… são áreas que poderão ter interesse para o desenvolvimento do turismo no Douro?
– O aeródromo está a ter a utilidade máxima no serviço à Região?
– Terá o Douro condições para atrair o Turismo de Negócios, que não é sazonal e permite ocupação em dias úteis?
– Serão os grandes eventos plataformas de promoção e desenvolvimento da marca Douro? Que eventos serão esses? Como atraí-los?
– Estará o Porto demasiadamente longe para captação de turistas?
– Qual a penetração do Douro no mercado espanhol que se situa até duas horas de distância (short breaks)?
– Brasil é um país que interesse ao Douro?

Enfim, poderia ficar aqui horas a colocar questões que não estão respondidas e que julgo serem pertinentes para o desenvolvimento sustentado do Douro.

Penso ser urgente encontrar um rumo, definido dentro de uma estratégia regional global, em conformidade com estudos sustentando sobre as verdadeiras potencialidades da Região.

Mas isto é apenas a opinião humilde de um louco que teve a sorte de nascer neste bocadinho de céu e o azar de, por amor, aqui voltar.

Tenho dito.

CUMPRIMENTOS DOURO,
Paulo Costa
paulo.costa@globalsportdouro.com

2. sergioreis86 - 04/10/2009

Desde já muito obrigado pelo comentario, uma vez que enriquece este espaço e ajuda a debater este tema que realmente me preocupa.

É verdade, o Douro tem realmente muitas qualidades que podem ser aproveitadas no desenvolvimento da região, mas o que me preocupa é que elas possam ser aproveitadas por pessoas nao interessadas na regiao, mas em “encher os bolsos” enquanto houver materia, sem olhar a meios, para mais tarde abandonar isto. É o que muitas vezes acontece e é o que realmente nao interessa para a região. Não se pode permitir passos maiores que as proprias pernas, ou seja, ha que desenvolver realmente um projecto bem pormenorizado e que essencialmente tenha em conta os habitantes da região e a natureza. Nao podemos degradar o meio ambiente so para termos um lucro imediato. Isso iria ter como consequencia a perda de todas qualidades a medio prazo e ai sim, seria impossivel esta regiao prosperar!

O problema é esse mesmo! É que fala-se de sustentabilidade e realmente o que “ouço por aí” não sao projectos sustentaveis nem os melhores para a região na minha opinião.

Tentarei dar o meu parecer sintéctico de todos os pontos que referiu:

Quanto à referencia das faixas etarias e niveis sociais que se pretende atrair, eu penso que o mais indicado seria desenvolver projectos, que pudessem oferecer complementariedade. Eu penso que o Douro devia ser um alvo de visita a todo o tipo de turismo, porque nao deveriamos “privar” ninguem de puder visualizar esta maravilha. Desenvolver a capacidade de poder oferecer realmente as condiçoes que o turismo de luxo necessita, mas nao descuidar os restantes turistas. Permitir a viabilidade a toda a gente de visitar a regiao e poder oferecer tambem as necessarias comodidades e distintos pontos de atraçao. Assim, existiria um maior espectro de mercado e conseguiriamos maior subsistencia, uma vez que maior quantidade de pessoas poderiam visitar a regiao.

Outra coisas que gostaria de destacar é que na minha opinião as estrategias actuais, procuram atrair mais a faixa etaria superior aos 35 anos. Por isso, penso que seria uma optima ideia começar a desenvolver projectos para atingir faixas etarias menores e conseguir assim chamar à regiao os jovens, pelo menos os portugueses, á região duriense.

Quando à divulgação, penso que ultimamente as empresas têm apostado mais nesta àrea e eu apoio totalmente. É necessario, e cada vez mais!, divulgar convenientemente a região. Precisamos apostar tambem nos meios de comunicação social. Penso que até ha bem poucos anos, a divulgação pelos meios de comunicação social, nao faria parte das estrategias de marketing, o que é compreensivel devido ao limitado poder economico das empresas, mas actualmente atraves da Web torna-se muito mais facil divulgar esta maravilhosa região e penso que devem apostar entao na promoçao e na publicidade.

Quanto às camaras municipais, penso que devem unir-se cada vez mais, porque so juntas conseguirão desenvolver e promover a região duriense. E aproveito para referir que realmente os espaçoes rurais (as aldeias) mais pobres devem ser uma preocupaçao imediata dos responsaveis, porque mais importante que tudo é necessario garantir condiçoes minimas para as pessoas que habitam a região e que se esforçaram por construir o que hoje podemos ver. É indispensavel combater o envelhecimento e a desertificação se queremos ver a regiao “crescer”.

Defendo que o Agroturismo e o Turismo Rural devem ser realmente uma aposta daqueles que tiverem capacidade para o oferecer, uma vez que tem tudo para ser um sucesso! Cada vez mais há pessoas a tentar procurar outras formas de passar ferias que nao sejam as zonas balneares, Por isso penso sinceramente que será uma aposta ganha.

O rio Puderá tambem ser parte do projecto de desenvolvimento e sustentabilidade da regiao. Temos o exemplo de Mirandela com o jetski. Mas torno-me mais reticente nesta questão por que penso que quanto mais for utilizado, mais poluido irá ficar.

Quanto ao aeródromo, sinceramente nao me encontro capacitado para opinar uma vez que não possuo grandes informaçoes sobre o mesmo.

Nao me parece que o Brasil seja um pais prioritario para apostar em relaçaão ao turismo, nem que o Porto esteja realmente muito longe para condicionar o turismo. Na realidade, estamos cada vez mais próximos e se tivermos capacidade para mostrar tudo que de bom aqui temos, nao sera uma viagem de uma hora que afastará possiveis turistas. Talvez apostar no turismo espanhol me pareça uma boa opção, uma vez que tenho familiares em Espanha e eles realmente se sentem atraidos por esta região. E além disso é um país com maior poder de compra!

Quanto ao turismo de negócios é a isso mesmo que me referi quando afirmei que se devia alargar o espectro de mercado. E procurar optar por atrair essencialmente pessoas que visitem a região durante todo o ano e nao so nos meses de verão e da vindima. Temos que procurar atrair turistas durante todo o ano para que as empresas possam manter-se o mais estaveis possivel. Realmente o turismo de negocios é uma excelente opção, uma vez que pode ser desenvolvido durante todo o ano. Parece-me que apostar num turismo sazonal nao sera a melhor solução.

Existem na realidade muitas questões a colocar e penso realmente que se todos remarem para o mesmo lado, surgirão ideias viaveis e interessantes para o desenvolvimento da nossa linda região.

“Mas isto é apenas a opinião humilde de um louco que teve a sorte de nascer neste bocadinho de céu e o azar de, por amor, aqui voltar.”
E eu sou mais um humilde e louco que assume a sorte de nascer nesta linda e maravilhosa região e que com alguma mágoa vê que não sao aproveitadas as qualidades da região e que com a tristeza de o Douro ser ainda desconhecido de muita gente, tenta através da palavra divulgar esta região em que com orgulho habito.

Com os melhores cumprimentos
Sérgio Reis

3. Cibele Silva - 08/10/2009

Excelente post Sérgio, infelizmente eu não conheço o processo, mas pelo que você postou e o que foi discutido dá para ter uma amplitute sobre o caso.
Realmente falar de sustentabilidade é algo delicado e temos que rever muitos conceitos.

Parabéns pelo seu trabalho.
Adorei seu blog e vou acompanhar sempre.

abraços,
Cibele
(A Bordo)

sergioreis86 - 08/10/2009

Muito obrigado. Tentei relatar alguns factos mas também expor algumas das minhas ideias, uma vez que este tema deveria ser realmente muito debatido. E coloquei-o com o intuito de promover a participação de todos.

Grato pelos elogios, desejando felicidades a si e a todos que me visitam e contribuem para o crescimento deste espaço.

Cumprimentos
Sérgio Reis

4. Ana - 29/10/2010

Gostei do que li,aproveito p/ pedir a V/ opinião:
tenho uma casa no Douro e há muito que sonho reabilitá-la. Tenho o processo prontinho p/ avançar numa aposta no Turismo de Casa de campo.
Tenho muita vontade, mas tenho recebido algumas opiniões de que o Turismo em pequena escala (esta casa só terá 5 quartos) não é sustentável e que a taxa de ocupação ronda os 10% fora do mês de Setembro.
Isto assusta-me. Não, não tenho ambição em fazer um volume de negócios mirabolante, apenas pretendo que as receitas anuais cubram todas as despesas;
a casa fica no meio da terra das Lagaradas e queria que ela servisse a quem a escolhesse a possibilidade do regresso à terra com todo o conforto mas com muita simplicidade e beleza natural. Tenho em mente estabelecer as parcerias que permitam viver o N/ Douro, o N/ Portugal o N/ espaço terrestre e celeste. Lançar temas que ultrapassem a barreira da sazonalidade, divulgar os produtos locais e interagir c/ as populações; temos tanto a oferecer p/ além do rio e das vindimas, temos as cores da primavera e do outono, o preto e branco, o quente/frio e o romantismo do inverno, os produtos da terra – as cerejas, os medronhos, as laranjas, as castanhas, o fumeiro, os doces, a boa comida e claro o bom vinho e tudo o mais que a imaginação nos traga.
Qual a leitura que fazem deste tipo de turismo?

Cumprimentos,
AnaO

5. Sérgio Reis - 30/10/2010

Boa Noite Ana,

Actualmente o Enoturismo está cada vez mais em voga. As pessoas procuram hoje em dia espaços rurais, que lhes permitam descansar e conhecer novas culturas.
Quanto á questão da taxa ocupacional, sabemos de antemão que os meses de Inverno não são propícios devido às condições atmosféricas que caracterizam a região. Contudo, os restantes meses, com certeza, compensarão esse decréscimo.
A região necessita do espírito empreendedor dos seus habitantes para que possa ser promovida e desenvolvida.
Há, contudo, uma questão que não poderá descurar: o Marketing.
Deverá ter em mente o desenvolvimento de acções de Marketing adequadas e de qualidade para que esse projecto seja um sucesso. Sem esta vertente, será muito dificil subsistir.
Caso pretenda, apoio nesta área, poderei ajudá-la.

Boa sorte! Fiquei agradado com a ideia!
Obrigado pela particiapção neste nosso espaço.

Com os melhores cumprimentos,
Sérgio Reis


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